Dedo no Rabo do Teu PseudoTransgredir

Me pesa muito quando percebo que o teu “transgredir” só vai até o ponto de defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo – mas ali ele emperra, como que impedido por força superior. Eu te falo das putas e você me vem com milhares de desculpas, destilando todo teu salvacionismo barato.

Você diz que não quer ver seu nome ligado a “isso”, a essas mulheres. Você sabe que elas fazem “aquilo” por que precisam (?) mas segue dizendo que é uma imoralidade. Isso do alto da tua moral inabalável de quem nunca fodeu sem amor (ah, vai… conta outra). Na tua vidinha, o casal-gay-propaganda-de-perfume cumpre uma função essencial: você pode dizer que está defendendo o amor – toda forma de amor!!! – e não a afetação ou a baixaria.

Você assim pode contar para os seus pais, tão bonitinhos, velhinhos e decrépitos, ali sentadinhos no sofá embolorado do apartamento antigo na Independência, que defende o amor, que defende que as pessoas tenham o direito de amar a quem quiserem não importando seu sexo, que toda forma de amor vale a pena e todo aquele blablabla higiênico e puritano que te ensinaram a vida toda.

Mas não, meu amigo. Eu sei, e você sabe: as pessoas querem mesmo é o direito de foder com quem quiser, e se tiverem muita, muita sorte no meio dessa aridez toda talvez um dia encontrem a quem possam amar. Mas o direito  mesmo que se quer é o de foder com quem quiser – obviamente se os desejos coincidirem e caso o “quem quiser” também o queira. Seja por puro tesão, seja pelo clima do momento, ou seja mesmo só pela grana.


“Ah, não, sexo por grana, não!”

Te apavora quem põe preço no teu prazer. Confessa: isso mexe com teus brios. Não é que ela esteja pondo um preço naquele corpo que você ardentemente deseja, e você sabe disso. Ela está pondo mesmo é preço no teu prazer, e no fundo, é isso que você não pode perdoar.

Ela deixa claro que não te deseja ardentemente, “cobro 100 reais a hora, amor”, e é isso: ou você cede ou você perde.

No auge do tesão, você pensa: “mas porra, o que são 100 reais diante de uma boa trepada?” Você paga. Fode. E sai dali arrasado, insuportavelmente arrasado, mortalmente ferido em seu orgulho de macho top – viril porém não belo, simpático mas não exatamente um conquistador. Finge acreditar que ela gozou – “ou gozou ou fingiu muito bem”, você vai postar mais tarde em seu relato no GpGuia (“mas não beijou na boca”, olha que doce: ele quer beijinho e beijinho não tem, ela é uma puta malvada).

Você bate punheta assistido teu pornozinho mainstream mas aposto que morre de medo e desejo de levar uma bela mijada. Ao vivo. O líquido quente escorrendo pelo teu rosto, tua boca, peito, tudo.

Você, sair em defesa das putas? Jamais.

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