Uma Noite no Bar Para Quem Gosta da Coisa

“Nossa, tudo aqui realmente cheira a sexo!”

Este foi o primeiro e empolgadíssimo comentário da amiga que me acompanhava, tão logo entramos no ValenBar – se não o único, certamente o mais badalado bar erótico do país no momento. Carol (vamos chamá-la assim) estava recém solteira novamente, depois de anos de um casamento caretinha, e queria conhecer um lugar qualquer onde pudesse “se sentir novamente uma mulher pulsante”.

Quer putaria, né fia? Então, vamos lá.

Eu soube do Valen mesmo antes de sua inauguração, através do querido Alexandre Godoy, que me contou deste espaço incrível enquanto era apenas um projeto: um bar erótico em pleno Moinhos de Vento, um dos mais elitistas (e conservadores) bairros da nossa cidade (e ao mesmo tempo, um dos mais badalados). Levei meses para conferir, e só lamento não tê-lo conhecido antes: anotem aí, este espaço ainda vai dar muito o que falar.

O “Bar Para Quem Gosta da Coisa”, como sua propaganda alardeia, atrai um público bastante seleto na faixa dos 25/35 anos, composto principalmente por mulheres e casais – aparentemente tão novatos quanto nós duas, muitos deixavam transparecer em seus semblantes e falas o fascínio pelo clima sensual e instigante. O fascínio com que devoravam o ambiente com os olhos não deixava dúvidas. Talvez principalmente as mulheres, tradicionalmente excluídas de ambientes com maior apelo erótico, ao menos no papel de clientes e consumidoras…

Escolhi uma quarta-feira, dia de strip burlesco com a Sweetie Bird, que nos brindou com cinco ótimas performances. Encantadora, ela e seu show! Público feminino delira: Sweetie tem uma beleza e sensualidade totalmente naturais, com direito a curvas voluptuosas e meigas insinuações. Apenas adorável!

O inegável apelo das ‘vitrines’, declaradamente inspiradas no Red Light District de Amsterdam, é forte. Elas trazem em vídeo, de modo alternado, um rapaz e uma mulher, ambos extremamente belos e sensuais, ambos mascarados, dançando enquanto fazem poses e gestos convidativos. Nos telões, vídeos eróticos – nesta noite, uma performance que bem poderia se chamar “as faces do prazer’: várias pessoas filmadas apenas do pescoço para cima, possivelmente fazendo sexo ou se masturbando. Expressões de prazer, gemidos e muitas possibilidades para a imaginação do público.

O ponto negativo do local fica por conta da ausência de estacionamento ou manobrista. Estacionamos na outra quadra e, embora o bairro seja considerado relativamente seguro mesmo para caminhadas noturnas, não é exatamente uma tarefa agradável percorrer este trajeto usando salto alto. 

Noite de descobertas: o bar tem uma sex shop no andar superior, onde minha amiga adquiriu seu primeiro vibrador – roxo, lindo, com pedrinhas brilhantes em toda a sua volta. Desejo que ela se divirta muito com ele! Será parceiro fiel e dedicado neste período de (re)descoberta de seu próprio corpo e de novas sensações.

Conheci, e conversei rapidamente, com Maria Carmencita Job, que na semana seguinte ministrará durante as tardes o curso Antropologia do Prazer. Oportunamente conto mais pra vocês sobre isso!

Eu gostei do ambiente: aquele clima ostensivo de caçação, cantadas sem graça e passadas de mão invasivas e grosseiras não tiveram espaço ali. De inconveniente, apenas um rapaz que nos ofereceu espumante, o que recusamos repetidas vezes. Não tínhamos nenhum interesse nele, e podíamos pagar por nosso próprio espumante. Mas ele nos ganhou por sua insistência: aceitamos seu agradinho, deixando por fim, para sua decepção, a garrafa intacta sobre a mesa. Hora de partir.

Alguns homens precisam entender que certos hábitos, praticamente obrigatórios em prostíbulos (onde ganhamos comissão pelas doses), fora deles soam bregas demais e até desagradam. A recusa é sempre uma possibilidade e deve ser respeitada.

Era isso. Voltaremos.

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